A Centralização do Poder Real
O poder real em Portugal evoluiu de uma monarquia feudal inicial para um sistema cada vez mais centralizado. Esta evolução institucional foi marcada por importantes transformações:
A Velha Cúria Régia (composta apenas por membros da família real, alta nobreza e alto clero) deu lugar ao Conselho Régio, que incluía conselheiros com formação jurídica universitária. Paralelamente, surgiram as Cortes, assembleias onde, além do clero e nobreza, participavam também representantes dos concelhos.
Esta centralização ocorreu em duas fases distintas:
- Durante a Reconquista: afirmação primária do poder real e criação de concelhos com alguma autonomia
- Pós-Reconquista: limitação do poder dos concelhos e combate aos privilégios senhoriais
Os monarcas usaram diferentes estratégias para controlar o poder da nobreza e do clero:
- Leis de desamortização: proibiam a compra de bens fundiários pelos mosteiros
- Confirmações: obrigavam a confirmar a legitimidade da posse de bens
- Inquirições: recenseamento das propriedades senhoriais para reverter usurpações à Coroa
D. Afonso II iniciou estas reformas com os registos de chancelaria, confirmações gerais e a criação de notários e tabeliães. D. Afonso III continuou o processo reorganizando a justiça régia.
Conclusão importante: A centralização do poder real representou uma evolução fundamental para a construção do Estado português, transformando uma monarquia feudal num sistema político mais moderno e centralizado.