O Absolutismo em Portugal
Após a Restauração da Independência em 1640, Portugal passou por uma reorganização do seu aparelho de Estado, culminando no absolutismo joanino no século XVIII. Este processo foi marcado pela centralização do poder e pela diminuição da influência dos nobres no governo.
A nobreza portuguesa desempenhou papel fundamental no êxito da restauração, o que lhe garantiu inicialmente posição privilegiada. No século XVII, os cargos superiores da monarquia eram atribuídos à nobreza de sangue, que também intervinha diretamente no comércio ultramarino. Surgiu assim um cavaleiro mercador, que não era um verdadeiro comerciante, mas usava o comércio como meio para adquirir riqueza.
A burguesia portuguesa enfrentava dificuldades de afirmação devido a vários fatores: a intervenção da coroa e da nobreza nos negócios, a concorrência de mercadores estrangeiros, a perseguição aos cristãos-novos pela Inquisição e uma mentalidade que aspirava à nobreza.
Com D. João V (1706-1750), o absolutismo atingiu seu auge em Portugal. O "Magnânimo", beneficiando do ouro e diamantes do Brasil, procurou imitar Luís XIV. A nível político, não reunia as cortes, reformou a administração e reforçou seu poder face à nobreza. A magnificência real manifestava-se no luxo, no cerimonial da corte e nas grandes construções como o Palácio-Convento de Mafra.
Sabia que? D. João V usava a grandiosidade da corte portuguesa não apenas para impressionar internamente, mas como ferramenta de política externa. Suas delegações diplomáticas eram famosas pelo luxo e pela distribuição de moedas de ouro!
O rei também desenvolveu uma política de mecenato das artes, letras e ciências, fundou a Real Academia de História e patrocinou bibliotecas. Na política externa, manteve uma posição de neutralidade, intervindo apenas quando resultava em prestígio para o país.