A Economia Portuguesa: Estagnação Rural e Autoritarismo
O regime salazarista idealizava romanticamente o mundo rural português, mas a realidade era bem diferente. Apesar das campanhas de produção, a agricultura portuguesa continuou tecnicamente atrasada e pouco produtiva.
Os problemas estruturais eram evidentes: no Norte predominava o minifúndio, propriedades demasiado pequenas para mecanização, enquanto no Sul dominava o latifúndio, grandes propriedades subaproveitadas. Cerca de um terço da terra era cultivada em regime de arrendamento precário, desestimulando investimentos de longo prazo.
As tentativas de reforma agrária fracassaram devido à oposição dos grandes proprietários que, usando sua influência política, bloquearam qualquer alteração da estrutura fundiária. A mentalidade conservadora dos camponeses também contribuiu para esta estagnação.
💡 A política agrária do Estado Novo acabou beneficiando principalmente os grandes latifundiários do Sul e os grandes vinhateiros do Norte, em vez dos pequenos agricultores.
Na década de 60, o regime relegou a agricultura para segundo plano, apostando na industrialização. O resultado foi dramático: a taxa de crescimento do Produto Agrícola Nacional caiu de 5,5% nos anos 50 para apenas 1% nos anos 60, aumentando a disparidade entre produção e consumo no país.



































