Tribunais e Poder Judicial
O Areópago, constituído por antigos arcontes, tinha funções limitadas, julgando apenas casos de homicídio, incêndio, envenenamento e questões religiosas, como o desrespeito aos deuses da cidade. Era o tribunal mais tradicional de Atenas, mantendo algumas características aristocráticas em meio ao sistema democrático.
No sistema democrático ateniense, o governo da pólis era assegurado pelo corpo cívico (conjunto de cidadãos com direitos civis e políticos). Os cidadãos gozavam de iguais direitos de participação política (isocracia), de uso da palavra (isegoria) e de igualdade perante a lei (isonomia), eliminando privilégios baseados na riqueza ou prestígio familiar.
As instituições políticas de Atenas funcionavam de forma integrada. A Eclésia, composta por todos os cidadãos, reunia-se regularmente para votar leis e decidir sobre questões importantes. A Bulé, com seus 500 membros sorteados anualmente (50 por tribo), preparava as leis e resolvia assuntos correntes. A cada 36 dias, o poder passava de tribo para tribo, num sistema rotativo chamado pritanias.
Os 10 Estrategos, eleitos anualmente pela Assembleia, comandavam as forças militares e tinham crescente influência política, especialmente em períodos de conflito. Os 10 Arcontes, sorteados anualmente, tinham responsabilidades religiosas e judiciais, organizando cerimónias e presidindo tribunais.
A justiça era aplicada por cidadãos comuns nos dois principais tribunais: o Areópago, para crimes graves e religiosos, e o Helieu, com 6000 juízes sorteados que decidiam coletivamente sobre a maioria dos crimes.
💡 O sistema judicial ateniense antecipou conceitos modernos como o julgamento por júri, onde os cidadãos comuns, e não apenas especialistas em leis, decidiam sobre a culpa ou inocência.