O Parlamentarismo Inglês
Em Inglaterra, os poderes do Estado eram partilhados entre o rei e o Parlamento: este aprovava as leis e aquele as aplicava. O Parlamento era composto por duas câmaras com funções e composições distintas:
A Câmara dos Lordes era formada pelo alto clero e pela alta nobreza, com posições baseadas no nascimento ou nomeação, não em eleição. Era considerada um elemento essencial para um Estado bem governado e vista como uma barreira contra os excessos de poder.
A Câmara dos Comuns era representativa do povo, composta por deputados eleitos por sufrágio censitário (só podiam votar os que pagassem grandes impostos). Apenas os anglicanos podiam ser eleitos para esta câmara. No sistema político inglês, o poder do Parlamento sobrepunha-se a todos os outros.
John Locke formulou a teoria do parlamentarismo no seu Tratado do Governo Civil. Para ele, a autoridade política surge do povo, desafiando a noção de origem divina do poder. Locke defendia que os homens nascem livres e iguais, submetendo-se ao governo apenas por vontade própria, através de um contrato estabelecido com objetivos específicos, principalmente assegurar a propriedade individual, que considerava inseparável da felicidade humana.
🌟 As ideias de Locke sobre o contrato social e os direitos naturais não apenas legitimaram o sistema parlamentar inglês, mas também influenciaram profundamente os movimentos revolucionários posteriores, como a Revolução Americana e a Revolução Francesa, tornando-se pilares do pensamento político moderno.