Estratificação social e poder político nas sociedades do Antigo Regime
Imagina uma sociedade onde o teu nascimento determina completamente o teu futuro. Foi exatamente assim durante o Antigo Regime, período que se estendeu do Renascimento até às revoluções liberais. Durante esta época, a Europa vivia sob monarquias absolutas, com uma economia voltada para o capitalismo comercial.
A sociedade dividia-se em três ordens ou estados principais: o Clero (primeira ordem), a Nobreza (segunda ordem) e o Terceiro Estado (o povo). Esta divisão não se baseava em mérito pessoal ou conquistas individuais, mas sim no nascimento e em privilégios herdados. Cada grupo tinha funções, direitos e deveres específicos, refletidos até na forma como as pessoas eram tratadas no dia-a-dia.
A estratificação social do Antigo Regime criava um sistema onde poucos tinham muitos privilégios e a maioria tinha muitos deveres. O Clero e a Nobreza possuíam vantagens significativas, como isenções fiscais e acesso exclusivo a cargos importantes. Enquanto isso, o Terceiro Estado, que representava a maioria da população, suportava quase todos os encargos tributários e tinha poucos direitos.
Sabes que... A justiça funcionava de forma completamente diferente para cada ordem social? Pierre Goubert definiu o Antigo Regime como "o regime da diversidade jurídica e administrativa, da complicação e do privilégio", destacando como as leis e suas aplicações variavam conforme o estatuto social de cada pessoa.
A mobilidade social era praticamente inexistente, o que garantia a manutenção deste sistema desigual por séculos. Os privilégios eram transmitidos de geração em geração, perpetuando o poder nas mãos das mesmas famílias e instituições religiosas.