O Funcionamento da Democracia Ateniense
O poder executivo em Atenas estava nas mãos de diferentes magistrados. Os Arcontes, sorteados anualmente, ocupavam-se principalmente de funções religiosas e judiciais, como a organização de cerimónias e a presidência de tribunais. Já os Estrategos, eleitos com base na sua competência, comandavam as forças militares e tornaram-se, especialmente durante o século V a.C., os verdadeiros líderes políticos de Atenas, controlando a política externa e financeira.
O sistema judicial ateniense funcionava através de dois tribunais principais. O Areópago, formado por antigos arcontes que serviam vitaliciamente, julgava crimes de homicídio e sacrilégios. O Helieu (Tribunal Popular), com 6000 juízes sorteados anualmente, tratava da maioria dos outros delitos. Nestes tribunais, após ouvir a acusação e a defesa, os juízes decidiam imediatamente sobre a absolvição ou condenação.
A democracia ateniense era direta, ou seja, os cidadãos governavam a pólis sem intermediários políticos ou partidos. Isto difere substancialmente da nossa democracia representativa atual. Para ter sucesso neste sistema, era essencial o domínio da oratória e da retórica, habilidades que permitiam a um cidadão apresentar ideias de forma convincente nas assembleias.
⚠️ Embora revolucionária para a sua época, a democracia ateniense funcionava num contexto social muito diferente do atual. A dedicação dos cidadãos à vida política só era possível porque a economia dependia em grande parte do trabalho de escravos e metecos, que não tinham direitos políticos.
A eficácia deste sistema foi comprovada durante o período de maior esplendor de Atenas, no século V a.C., quando a cidade, sob a liderança de Péricles, alcançou o auge do seu poder político, económico e cultural. Este foi o período em que a democracia ateniense funcionou de forma mais completa e estável.