Poesia Trovadoresca e Cantigas de Amigo e Amor
A poesia trovadoresca marca o nascimento da literatura portuguesa, composta por poemas medievais cantados por trovadores. Estas composições foram preservadas em cancioneiros dos séculos XIII e XVI, contendo textos desde o final do século XII.
As cantigas de amigo destacam-se pela expressão sincera de sentimentos. O sujeito poético é feminino—uma jovem que confidencia suas emoções a interlocutores diversos. Ela expressa saudade do amado ausente, angústia pela falta de notícias, tristeza pela traição, ou alegria ao ir a uma romaria. A donzela compartilha seus sentimentos com a mãe, amigas ou a Natureza, criando uma relação de confidência que confere espontaneidade às cantigas.
Nas cantigas de amor, o amor assume contornos mais artificiais. O sujeito poético masculino vive uma relação de vassalagem amorosa, colocando-se ao serviço de uma dama inatingível. O poeta sofre a coita de amor—uma paixão infeliz não concretizada—enquanto louva a sua "senhor" através de retratos idealizados. Seguindo convenções provençais, o poeta deve ser discreto, respeitoso e submisso, expressando emoções como dor, angústia, desespero e até a morte por amor.
Atenção! Enquanto as cantigas de amigo apresentam naturalidade e espontaneidade na expressão dos sentimentos, as cantigas de amor são marcadas por um tom artificial e por um código rígido de amor cortês.



