Alberto Caeiro, "Mestre dos outros"
Alberto Caeiro é o poeta da natureza por excelência, apresentando-se como um simples "guardador de rebanhos". A sua filosofia baseia-se num paganismo existencial que rejeita conceções abstratas de Deus, preferindo ver o divino em todos os elementos naturais (panteísmo).
O que distingue Caeiro é a sua forma de conhecer o mundo exclusivamente através dos sentidos, com especial destaque para a visão. Ele valoriza apenas a realidade objetiva e imediata, rejeitando qualquer tipo de pensamento metafísico - para ele, "pensar é não compreender", pois o pensamento distorce aquilo que os sentidos captam naturalmente.
A poesia de Caeiro caracteriza-se pela sua aparente simplicidade: verso livre, linguagem familiar e frases simples com poucos recursos estilísticos. Predominam as frases coordenadas e o presente do indicativo, criando uma sensação de espontaneidade e naturalidade.
💡 O fingimento artístico de Caeiro revela-se na sua preferência pela natureza e solidão, criando um personagem que é o oposto de Fernando Pessoa - um artifício perfeito para libertar o seu criador da angústia do pensamento constante.




















