O Dualismo Cartesiano e o Método do Conhecimento
Descartes dividiu o ser humano em duas substâncias distintas: a Res Cogitans (substância pensante ou alma) e a Res Extensas (o corpo físico). Esta divisão fundamental é a base do que conhecemos como dualismo cartesiano.
Para Descartes, as ideias humanas classificam-se em três tipos: ideias inatas (que nasceram connosco e constituem a razão), ideias factícias (originadas pela imaginação) e ideias adventícias (que surgem da experiência dos sentidos). Entre as ideias inatas, ele destacou a ideia de perfeição ou de um ser perfeito (Deus), argumentando que esta não poderia vir da experiência (nada na experiência é perfeito), nem ser fabricada por nós (seres imperfeitos), nem surgir do nada.
A existência de Deus é defendida por dois argumentos principais: o argumento da marca impressa (a ideia de perfeição é como uma assinatura do fabricante) e o argumento ontológico (sendo Deus perfeito, não lhe pode faltar a existência). Para Descartes, Deus funciona como um garante epistemológico – sendo perfeito e bom, não nos enganaria sobre ideias claras e evidentes, garantindo assim a verdade e a existência do mundo exterior.
💡 O método cartesiano baseia-se em quatro passos fundamentais: evidência (clareza e distinção das ideias), análise (dividir o complexo no simples), síntese (reconstruir do simples ao complexo) e enumeração/revisão (verificar se nada foi esquecido).
No entanto, o pensamento cartesiano enfrenta críticas importantes. O Círculo Cartesiano aponta uma contradição: Descartes confia nas ideias claras e distintas porque Deus existe, mas prova a existência de Deus com base nessas mesmas ideias. David Hume argumentou ainda que a dúvida cartesiana é impraticável, pois uma vez iniciada, não pode ser interrompida, tornando-se assim incurável.