Filosofia820Atualizado 11 de out. de 202623 páginas

Resumos de Filosofia do 11º Ano - Principais Tópicos Abordados

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Sofia Dias@sofiadias_f40ih
A filosofia política e epistemológica aborda questões fundamentais sobre justiça social, conhecimento e método científico. Estas teorias nos ajudam a compreender como podemos organizar a sociedade de forma justa e como podemos distinguir o conhecimento verdadeiro do falso, questões essenciais para o pensamento crítico.
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A teoria de John Rawls

A teoria da justiça de Rawls busca equilibrar os valores da liberdade e igualdade, defendendo que algumas desigualdades sociais e económicas são injustas. Para desenvolver sua teoria, Rawls cria dois conceitos fundamentais.

A posição original é uma situação hipotética em que as pessoas escolhem os princípios de justiça que governarão a sociedade, partindo todas da mesma posição. Junto a isso, o véu de ignorância faz com que ninguém conheça sua posição social, gerando imparcialidade nas escolhas.

Rawls propõe três princípios de justiça: o princípio da liberdade igual (todos devem ter os mesmos direitos e liberdades); o princípio da oportunidade justa (uma criança pobre deve ter as mesmas oportunidades que uma rica); e o princípio da diferença (desigualdades só são aceitáveis se beneficiarem os mais necessitados).

⚡ Dica importante: Rawls critica o utilitarismo porque este permite sacrificar minorias pelo bem da maioria, enquanto sua teoria protege os direitos básicos de todos os indivíduos.

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Críticas à teoria de Rawls

A regra maximin de Rawls defende que devemos maximizar o bem-estar dos mais desfavorecidos, garantindo que o pior cenário não seja tão mau. Isso permitiria que mesmo as pessoas dos grupos sociais mais desfavorecidos tivessem uma vida razoável.

Robert Nozick critica Rawls argumentando que é moralmente errado obrigar pessoas a partilhar seus bens legítimos. Para ele, o Estado deve cobrar impostos apenas para serviços básicos (tribunais, polícia, exército) e não deve ter funções sociais como hospitais ou escolas públicas. Segundo Nozick, devemos apoiar a generosidade voluntária, mas não obrigar os ricos a ajudar os necessitados.

Sandel, por sua vez, critica Rawls afirmando que somos seres comunitários que só nos reconhecemos em comunidade. Embora sejamos livres, dependemos da nossa comunidade e a "vida boa" só se alcança com a confiança nos outros. Ele não discorda dos princípios da oportunidade justa e da diferença, pois grandes desigualdades diminuem a união da comunidade.

💡 Importante: Há dois tipos de deveres morais: os deveres universais (que temos em relação a qualquer pessoa) e os deveres de solidariedade (que temos em relação aos membros da nossa comunidade).

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O Racionalismo de Descartes

Descartes tentou demonstrar que o conhecimento verdadeiro é possível, avaliando tudo o que tinha aprendido e concluindo que existiam muitas incertezas na filosofia e nas ciências. Na sua procura por um fundamento sólido para o conhecimento, ele buscou encontrar uma crença que fosse indubitável e básica.

Uma crença indubitável é aquela totalmente certa, acima de qualquer dúvida, respondendo ao argumento dos enganos sensoriais. Já uma crença básica não precisa de justificação externa, respondendo ao argumento da regressão infinita da justificação.

Para encontrar essa crença, Descartes recorreu à dúvida metódica: duvidar de todas as crenças até encontrar uma que fosse inabalável e resistente a qualquer dúvida. Esta dúvida tem características específicas: é voluntária, metódica, teórica e hiperbólica.

🔍 Nota importante: A dúvida de Descartes não é uma dúvida natural ou espontânea, mas sim um método filosófico para testar rigorosamente nossas crenças e chegar a verdades absolutas.

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A aplicação do método cartesiano

O método de Descartes funciona descartando algumas ideias e mantendo outras, até finalmente encontrar a certeza que procurava. Uma das primeiras etapas é questionar a confiabilidade dos sentidos, já que estes nos enganaram no passado.

Para questionar a confiabilidade dos sentidos, Descartes recorre ao argumento do sonho. Ele argumenta que se temos sonhos que não conseguimos distinguir das percepções quando estamos acordados, então não podemos garantir que neste momento não estamos a sonhar, ou mesmo que toda a nossa vida não é um sonho.

O argumento do sonho baseia-se em duas observações importantes: alguns sonhos são muito nítidos e semelhantes às experiências de quando estamos acordados; e quando estamos a sonhar, acreditamos que o sonho é real e está realmente a acontecer.

❓ Questão para refletir: Como podes garantir que não estás a sonhar neste momento? E como podes garantir que toda a tua vida não é apenas um sonho? Estas questões mostram o poder da dúvida metódica de Descartes.

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O problema da demarcação do conhecimento

O problema da demarcação consiste em identificar quais características uma teoria deve ter para ser considerada científica. Este critério é essencial para distinguir ciência de pseudociência, ajudando a decidir o que ensinar nas escolas e a identificar discursos pseudocientíficos.

Um critério proposto foi o da verificabilidade: uma teoria seria científica se pudesse ser comprovada pela experiência. Contudo, este critério apresenta problemas. Consideremos a proposição "Todos os corvos são negros" - seria verificável? Por mais corvos negros que observemos, nunca podemos excluir a possibilidade de existir um corvo de outra cor.

Esta limitação mostra que o critério da verificabilidade não é adequado para definir o que é científico, pois as proposições universais (leis) nunca podem ser completamente verificadas pela experiência.

🧪 Ponto-chave: A verificabilidade falha como critério de demarcação porque é impossível observar todos os casos possíveis para confirmar uma lei universal.

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Critérios alternativos de cientificidade

O critério da confirmabilidade sugere que uma teoria é científica se pode ser parcialmente verificada pela experiência. Por exemplo, se observarmos 20.000 corvos negros, a proposição "Todos os corvos são negros" parece parcialmente verificada.

Este raciocínio é indutivo: parte de observações particulares para uma conclusão geral. Porém, a indução não garante a verdade da conclusão - ela pode ser provável, mas nunca necessariamente verdadeira. Popper argumenta que não é possível verificar ou confirmar empiricamente as hipóteses científicas de forma definitiva.

Como alternativa, Popper propõe o critério da falsificabilidade: uma teoria é científica se, e apenas se, for possível submetê-la a testes empíricos capazes de mostrar que ela é falsa. A proposição "Todos os corvos são negros" não é verificável, mas é falsificável - bastaria encontrar um único corvo de outra cor.

⚠️ Atenção: Uma teoria científica, segundo Popper, não é aquela que pode ser provada verdadeira, mas aquela que pode ser testada e potencialmente refutada. Isto revolucionou nossa compreensão do método científico.

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O método falsificacionista

Segundo Popper, se uma hipótese se verificar falsa, deve ser abandonada ou reformulada. Se resistir aos testes, temos razões para continuar a trabalhar com ela - a teoria é corroborada pela experiência, mas nunca podemos dizer que é definitivamente verdadeira.

As teorias científicas são, portanto, conjecturas - tentativas de explicação do mundo que devem sempre ser postas à prova. Não são explicações definitivas, mas provisórias.

O grau de falsificabilidade de uma teoria é importante: quanto maior o seu conteúdo empírico (informação sobre o mundo), maior o seu grau de falsificabilidade. Por exemplo, "Todo o metal dilata quando aquecido" tem maior grau de falsificabilidade que "Todo o cobre dilata quando aquecido", pois faz uma afirmação mais ampla.

🔍 Importante: Além de ser falsificável, uma teoria científica deve ter capacidade explicativa, fornecendo respostas para problemas complexos. "Nenhum futebolista gosta do Algarve" é falsificável, mas não é científica porque não responde a questões relevantes.

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O método científico clássico

Tradicionalmente, pensava-se que o método científico começava pela observação, a partir da qual se desenvolviam hipóteses. Por exemplo, após observar muitos cisnes brancos, formulava-se a hipótese de que "todos os cisnes são brancos", que seria confirmada pela experiência.

Este é o método indutivo, popularizado por Francis Bacon, que segue quatro etapas principais:

  1. Observações: Recolha rigorosa e seleção de dados, obtendo o máximo de informação empírica.
  2. Formulação de Hipóteses: Generalização dos dados observados, criando conjeturas.
  3. Experimentação: Testes para verificar as previsões feitas com base na hipótese.
  4. Leis: Se a hipótese for confirmada pelos testes, transforma-se numa lei científica.

🔄 Nota fundamental: Este método vai do particular para o geral, partindo de observações específicas para criar leis universais. No entanto, como veremos a seguir, Karl Popper encontrou sérios problemas neste modelo.

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Críticas ao indutivismo por Popper

Popper criticou fortemente o método indutivo em vários aspetos. Sobre a observação, ele argumenta que não existe observação pura - o trabalho científico não é imparcial, pois nossas teorias e expectativas condicionam o que observamos. Além disso, há teorias sobre objetos que não podem ser observados diretamente, como estrelas distantes.

Quanto à formulação de hipóteses, Popper defende que estas não são extraídas dos factos, mas são conjecturas criativas dos cientistas para responder a problemas. Na experimentação, o que deve ser testado não é a possibilidade de confirmar uma hipótese, mas sim de refutá-la.

Sobre as leis, uma hipótese que sobrevive a um teste empírico não se torna verdadeira, apenas não foi refutada ainda. Isto relaciona-se com o problema da indução: Popper concorda com David Hume que as conclusões dos raciocínios indutivos ultrapassam os dados disponíveis, não sendo racionalmente justificadas.

🧠 Reflexão importante: O indutivismo assume que podemos chegar a verdades universais a partir de observações limitadas, mas isto é logicamente problemático - mesmo milhares de observações não podem garantir que a próxima observação não contradirá a regra.

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O método das conjecturas e refutações

Popper propõe como alternativa o método crítico, também chamado de método das conjecturas e refutações, que se desenvolve em três fases principais:

  1. Problema: O cientista começa por colocar uma pergunta a que pretende responder. Esta é a fase inicial e crucial do processo científico.

  2. Conjecturas: O cientista formula uma hipótese com grande conteúdo empírico. Estas conjecturas são tentativas criativas de resolver o problema identificado.

  3. Submissão a testes: As consequências deduzidas das hipóteses são submetidas a testes rigorosos. O objetivo não é verificar ou confirmar a hipótese, mas tentar refutá-la.

🌟 Conceito-chave: Para Popper, o avanço científico ocorre quando abandonamos teorias refutadas e as substituímos por teorias melhores que resistam a tentativas de refutação. O conhecimento científico progride não por acumulação de verdades, mas pela eliminação de erros.

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