O Fontismo e as Grandes Reformas
O motor do desenvolvimento durante a Regeneração foi a política de modernização de infraestruturas, conhecida como Fontismo, nome derivado de António Fontes Pereira de Melo. Este engenheiro, à frente do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, transformou Portugal através de um ambicioso programa de obras públicas.
No campo industrial, o Fontismo promoveu a mecanização, aumentou a produção e diversificou setores (tabacos, moagem, cerâmica, vidro, cortiças, fósforos e conservas). Implementou o Sistema Métrico Decimal e organizou exposições para promover a indústria nacional. Paralelamente, desenvolveu-se o ensino técnico-científico, criando institutos de agronomia, veterinária e ensino industrial.
A transformação mais visível ocorreu nos transportes: a rede rodoviária expandiu-se de 218km para mais de 9000km em 1884, os portos de Leixões e Lisboa foram remodelados, e instalou-se o telégrafo (1857) e o telefone (1882). A rede ferroviária, iniciada em 1856, chegou a unir todo o país, exigindo a construção de importantes pontes como a D. Maria Pia (1877). Os correios foram reformados, introduzindo-se os primeiros selos em 1853.
💡 Esta "revolução dos transportes" quebrou o isolamento das regiões portuguesas, criando um verdadeiro mercado nacional unificado pela primeira vez na história do país, algo que nem mesmo as reformas do Antigo Regime tinham conseguido.